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21/5/2013

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Aucione Rodrigues da Silva
26/6/2013 02:57:12

....num,ranchinho de sapê,madeira bruta,vivia tranquilo enquanto criava seus sete filhinhos.
De madrugada quando o galo cantava, nem se incomodava,sabendo que sua Lindinha ia mesmo cuidar de tudo.
O pobre do carijó bem que se esforçava,cantarolando vezes seguida, em vão.

Acordar cedo , dizia ele:

-Só se for pra sobrar mais um tempinho pra ficar à toa,pois trabaiá quié baum memo, Zequier num que não.
Lindinha é que tomava frente de tudo,mesmo grávida,ela acordava com as galinhas,trocava os panos mijado dos pequenos,ajeitava sua matula,enxada nas costas e rumo à rocinha que ela mesmo plantava.
-De lá ficava observando o comportamento do marido,dizia baixinho,um dia inda largo dele,mas o tempo ia passando...Lindinha grávida de novo...pensava no próximo rebento e por ali ficava.

De volta pra casa, inté insaiava um refrão de falatório pra dizê pro marido,mas quando chegava em casa o danado, já havia pirulitado, rua, buteco era o que ele gostava.
Nas madrugadas de frio em baixo da bicicleta, estica e puxa,os dois faziam mais um rebento.
Lindinha ,gostava também de ficar agarradinha,com seu marido,tinha por ele um sentimento estranho,não sabia explicar,mas sabia com certeza, amor, num era,garantia pra si mesma em seu dia a dia de labuta.
No domingo lá vai Lindinha,com seus filhinhos, vestidos com modéstia,assistir a missa na capela do município.
Acordava cedo pra dar tempo de banhar a prole,vestiam o que tinham,pés descalços,chapéu de palha na cabeça.
Lindinha usava um coque feito de duas tranças,preso a um grampo, no meio do coque uma flor pra enfeitar ,não só os cabelos, mas também a vida,que andava meio sem graça.
Vestido de chita , já bem surrado,olhava para os filhos e sonhava um dia sair daquela vida mardita.Viver longe dali,levando na bagagem somente a lembrança,dos tempos vividos junto ao seu marido Zequier.

Na capela pedia à Nossa Senhora pra iluminar os pensamentos,de volta pra casa, corria até a venda, ia trocar ovos em troca de pão,querosene,açúcar,sal e um naco de carne de sol.
Zequier também ia junto,mas não pra ajudar ou rezar,pra bater um papinho com os amigos,tomar uma pinguinha.

A simplicidade de Lindinha,comovia o dono da venda, que lhe servia mais que o pedido feito por ela,pensando no que as crianças pudessem se alimentar.
Voltavam felizes carregando o fardo de compras, faziam planos para um almoço mais saboroso.
Cansada daquela vida, Lindinha toma uma decisão,levanta cedinho apronta uma trouxinha com seus pertences,sai em busca de seus sonhos.
Os filhos deixa para trás,a angustia toma conta do seu peito mesmo antes de alcançar a estrada.
Pensamentos estranhos atordoam e corroem sua alma,segue em frente caminha lentamente na madrugada fria,o peito ainda conserva o alimento sagrado,seu rebento precisa dele,mas Lindinha está decidida, não vai ceder,às amarguras do pensamento.

Vou viver nova experiência,nova vida,assim que estiver melhor volto pra buscar meus filhos,dizia ela enquanto apertava o passo em direção ignorada.
Já longe, bem longe, o amor falou mais alto,assentada num tronco, começa imaginar a vida sem os seus.

Mesmo Zequier aquele mardito, preguiçoso,vai me fazer farta,dá mais alguns passos à frente,pára decidida a voltar.

Olha em volta e percebe a distância da casa, já é noite, Lindinha respira forte,ajoelha e pede mais uma vez à sua santinha.
Ilumina minha Santinha,preciso do teu socorro,não posso vortá à aquela vidinha danada,mas tomem num posso deixá meus fiínho.
Ave cheia de graça,proteja meus fiínho, faiz com que a priguiça de Zequier vai simbora, ôh home danado! Tá iguar bicho da zunha grande !

Entre uma reza e outra Lindinha adormece,assentada no tronco,do jequitibá,lá pela madrugada ,vê ali parado à sua frente. Zequier,olhando pra ela, com aquele olho de home preguiçoso,mas com um carinho que só ele sabia olhar fazer.

Uai muié ! ocê perdeu o caminho de casa,dondé cê veio pará...ocê num tá pensando em me largá não né?
Ôh Zequier meu marido, inté qui eu tô sim ,mas se ocê me prometê larga essa priguiça,eu vorto pra casa,os meus fiínho pricisa de mim.
Os dois se abraçaram e juntos voltaram a viver, pra criar os filhos, mas a preguiça,de Zequier,sei não...

Reply
Maria Aparecida Furunata
23/9/2013 06:17:34


Aqui, nesta curva da estrada, nessa casa velha,
Tanto causos e histórias
Tantos sorrisos e lágrimas
Tantos encontros e desencontros
Tantos momentos felizes outros não
Tantos risos e danças no salão
Tantas flores, espinhos e sementes pra semear.
A janela esta aberta à sua espera
Vem e sente-se comigo, vamos prosear.
Na estrada desta vida, tanta pedra, tantos descaminhos
Não se esqueça de que a vida é mais que andança
Vem entra e senta pra prosear.
Escutar-te-ei pacientemente
Escuta-me também com paciência...
O tempo corre apressadamente sem ao menos a gente perceber.
A melodia do vento, dos pássaros é tão bela e grande como o infinito.
E no final da prosa, depois da lida, da lágrima e do consolo,
Restarão dois amigos saudosistas
Na esperança de cores novas renascer e ofuscar
o lamento, o choro...

Reply
Maria Aparecida Furtunata
24/9/2013 04:35:17

Aqui, nesta casa velha,
Vem e sente-se comigo, vamos prosear.
Na estrada desta vida, tanta pedra, tantos desencontros
Não se esqueça de que é a vida é uma andança
Senta aqui pra prosear.
Escutar-te-ei pacientemente
Escuta-me também com paciência...
O tempo corre apressadamente sem ao menos a gente perceber
Eu olho da porta com esperança e amor
Vejo a vida com leveza onde parecia pesada
Vejo sonho onde parecia tormento
Vejo riso onde parecia choro
Vejo jubilo onde parecia Lamento
Vejo amor onde parecia desamor
Fé não é ausência de problemas
Fé coragem para ver além do que os olhos veem
É caminhar, ainda que com medo, entre as pedras que deslizam.
É recomeçar quando ninguém mais está aqui ou acolá...

Reply
Maria Aparecida Furtunata
27/9/2013 05:08:35

Aqui, nesta casa velha,
Vivo a prosear sozinha
Na estrada desta vida, tanta pedra,
Mas até a água encontra pedras
Mas as contornam pra ir além
versar, sonhar, prosear
O tempo corre apressadamente.
Então olhei da porta com esperança e amor felizmente
Vi a vida com mais leveza
Vi flores, borboletas, pássaros
Na esperança de ver cores novas
Um toque especial reluziu
O velho deu lugar ao novo
E adormeci em paz...




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    Sobre este projeto

    Fotos realizadas em
    Josenópolis-MG_G3
    _______________
    Escreva uma prosa poética, curta (máximo 7 linhas), de sua autoria, motivado por esta foto.
    Seu texto poderá ser selecionado para compor um livro.
    Sua participação é voluntária, espontânea, colaborativa e gratuita.

    Autor
    Elias Rodrigues de Oliveira

    Archives

    May 2013

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